Fazer uma bola trapeira...
(cópia de documento pessoal)
Numa das escolas onde estive, no ínicio do ano, pedi a todos os alunos que fizessem uma bola trapeira. Protestaram... "que disparate, isso já não se usa... então não há dinheiro para bolas"... e mais uns mimos deste tipo. Com a "chantagenzita de uma falta" até a levarem lá foram aparecendo as ditas bolas. Amarelas, azuis, verdes, cinzentas... todos acabaram por aparecer com a sua bolita. Mais perfeita, menos bem feita, elas lá estavam. Arranjámos uma caixa e lá as guardámos. Todas as aulas havia uma sessão de exercícios e jogos com bola. Eles driblaram-nas com as mãos, com os pés... eles atiraram-nas à parede e apanharam-nas... eles fizeram percursos variados com elas... eles fizeram exercícios em que, por exemplo, tinham que, deitados, apanhar a bola com os pés e colocá-a atrás da cabeça e voltar a apanhá-la e colocá-la ao pé dos pés... eles jogaram ao mata... eles jogaram bowling... já nem sei, a bola serviu para tanto...
Adoraram a sua bola... adoraram o trabalho desse ano!
Mais tarde, estando a fazer formação de professores, na área de EF para o 1º ciclo, conhecendo as carências da maioria das escolas e ciente do prazer que aqueles meus alunos tinham tido com suas bolas trapeiras, sugeri a estes futuros professores que as usassem. Sei que pelo menos uma dessas formandas, quando nossa colega, o fez e sei que os putos reagiram como os meus tinham reagido.
É pena que as bolas trapeiras, ou bolas de trapos, como também são conhecidas, estejam a desaparecer!
... e se as "ressuscitássemos"?


5 Comments:
At 15 Março, 2007 02:12,
Setora said…
Só agora descobri este seu blog.
Também às vezes consigo meter a bola trapeira na aula de português. A cama-do-gato é para os que acabam o teste mais cedo que os outros. A língua dos pês é de uso obrigatório no início dos meus quintos anos.
É bom andarmos por esta rua.
At 01 Maio, 2007 02:21,
linfoma_a-escrota said…
Quelque chose subjuga o delírio a
permanecer quieto no seu ovni em potência,
é alguém de maiúscula tonificada que
impede a mistura barbitúrica de se despentear
à pedrada, em especial nesta festa académica,
utilizada para evacuar toneladas de tabús
inaceitáveis à luz da decência apresentável,
é muito útil para não reparar em ninguém
que te motive em particular, vais tropeçando
e roubando o que te apetecer, personificando
existências à escolha para desapareceres...
Pouco sábios acreditam estar longe da razão,
mostram-no e materializam sotaques com chicotes
que utilizam, sociológicamente são gigolos-sativa,
para procurar postura à eloquência desportista,
sabem distorcer versículos a partir da sugestão escutada
na colmeia à nascença, géneros patriarcais de
alienação posteriormente ensinada a copiar o colega,
é desnecessário reprimir ou tornar-se-á a deriva
mestra lacerada duma ingestão atormentada pela
falta de são excesso singelamente tresloucado.
Lembro-me que bastava menear a cabeça
consoante a entoação dos barulhos dentifrícos
da professora que decadentemente dedilhava
seu cantil de caipirinha51 mal disfarçada,
juntamente com os diversos zanex e clonix
cuja dose variava consoante seu druida supunha,
com um tom tão monótono e declaradamente
aborrecido de ali estar de manhã a aturar-nos,
lá nos entretivemos espicaçando sua fácil fúria.
Vi de tudo, tanto quem merecia medalhas
de puritanismo, como heranças de hereges que
cobiçavam presidir lobbies da espreguiçadeira,
excelsos locutores desaproveitados perante a
admoestada diáspora hormonal, os que ditavam,
despachavam dúvidas e partiam à acção de formação,
aqueles que não se continham a chorar por perdão e
os bons samaritanos tentando divergir do programa.
Todos os progenitores sabem jogar ao sorriso
anódino que oculta a grande muralha da tensão
psíquica, absolvem-se em cadeia e culpam o governo
que coragem não tem para decapitar privilégios, é
facílimo julgar e ir traíndo à gincana das ratoeiras
adequadas nas reuniões de mães enfrascadas pelo
ritalin das ideias inviáveis e ciúme incondicional.
in QUIMICOTERAPIA 2004
WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM
At 16 Junho, 2007 19:40,
JMD said…
"Rapinei" a informação sobre a bola trapeira... Fiz mal? espero que não. A bem do desporto!!
At 02 Outubro, 2008 21:51,
Anónimo said…
Oh que saudades da bola de trapos, da fisga, do pião, do jogo do garrafão...
O entrar na sala de aula abraçado ao colega, após uma discussão no recreio.
Tempos em que os sapatos ou mesmo os tamancos eram preteridos a favor do pé descalço para bem daqueles.
Estaremos mesmo no princípio do fim?
At 02 Outubro, 2008 21:56,
aidemim said…
Meu amigo, saudades quem as não tem? Eu próprio serei do mesmo tempo já que fala das coisas como eram nos meus tempos de escola. O respeito que havia pelas professoras, nunca o medo.
Vá aparecendo por aqui e fale da sua terra.
Aidemim.
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