Rua da Tradição

Tradição é tudo o que uma geração herda das suas precedentes e lega às seguintes

segunda-feira, outubro 30, 2006

Fazer uma bola trapeira...

....

(cópia de documento pessoal)

Numa das escolas onde estive, no ínicio do ano, pedi a todos os alunos que fizessem uma bola trapeira. Protestaram... "que disparate, isso já não se usa... então não há dinheiro para bolas"... e mais uns mimos deste tipo. Com a "chantagenzita de uma falta" até a levarem lá foram aparecendo as ditas bolas. Amarelas, azuis, verdes, cinzentas... todos acabaram por aparecer com a sua bolita. Mais perfeita, menos bem feita, elas lá estavam. Arranjámos uma caixa e lá as guardámos. Todas as aulas havia uma sessão de exercícios e jogos com bola. Eles driblaram-nas com as mãos, com os pés... eles atiraram-nas à parede e apanharam-nas... eles fizeram percursos variados com elas... eles fizeram exercícios em que, por exemplo, tinham que, deitados, apanhar a bola com os pés e colocá-a atrás da cabeça e voltar a apanhá-la e colocá-la ao pé dos pés... eles jogaram ao mata... eles jogaram bowling... já nem sei, a bola serviu para tanto...

Adoraram a sua bola... adoraram o trabalho desse ano!

Mais tarde, estando a fazer formação de professores, na área de EF para o 1º ciclo, conhecendo as carências da maioria das escolas e ciente do prazer que aqueles meus alunos tinham tido com suas bolas trapeiras, sugeri a estes futuros professores que as usassem. Sei que pelo menos uma dessas formandas, quando nossa colega, o fez e sei que os putos reagiram como os meus tinham reagido.

É pena que as bolas trapeiras, ou bolas de trapos, como também são conhecidas, estejam a desaparecer!

... e se as "ressuscitássemos"?

5 Comments:

  • At 15 março, 2007 02:12, Blogger Setora said…

    Só agora descobri este seu blog.
    Também às vezes consigo meter a bola trapeira na aula de português. A cama-do-gato é para os que acabam o teste mais cedo que os outros. A língua dos pês é de uso obrigatório no início dos meus quintos anos.
    É bom andarmos por esta rua.

     
  • At 01 maio, 2007 02:21, Blogger linfoma_a-escrota said…

    Quelque chose subjuga o delírio a
    permanecer quieto no seu ovni em potência,
    é alguém de maiúscula tonificada que
    impede a mistura barbitúrica de se despentear
    à pedrada, em especial nesta festa académica,
    utilizada para evacuar toneladas de tabús
    inaceitáveis à luz da decência apresentável,
    é muito útil para não reparar em ninguém
    que te motive em particular, vais tropeçando
    e roubando o que te apetecer, personificando
    existências à escolha para desapareceres...

    Pouco sábios acreditam estar longe da razão,
    mostram-no e materializam sotaques com chicotes
    que utilizam, sociológicamente são gigolos-sativa,
    para procurar postura à eloquência desportista,
    sabem distorcer versículos a partir da sugestão escutada
    na colmeia à nascença, géneros patriarcais de
    alienação posteriormente ensinada a copiar o colega,
    é desnecessário reprimir ou tornar-se-á a deriva
    mestra lacerada duma ingestão atormentada pela
    falta de são excesso singelamente tresloucado.

    Lembro-me que bastava menear a cabeça
    consoante a entoação dos barulhos dentifrícos
    da professora que decadentemente dedilhava
    seu cantil de caipirinha51 mal disfarçada,
    juntamente com os diversos zanex e clonix
    cuja dose variava consoante seu druida supunha,
    com um tom tão monótono e declaradamente
    aborrecido de ali estar de manhã a aturar-nos,
    lá nos entretivemos espicaçando sua fácil fúria.

    Vi de tudo, tanto quem merecia medalhas
    de puritanismo, como heranças de hereges que
    cobiçavam presidir lobbies da espreguiçadeira,
    excelsos locutores desaproveitados perante a
    admoestada diáspora hormonal, os que ditavam,
    despachavam dúvidas e partiam à acção de formação,
    aqueles que não se continham a chorar por perdão e
    os bons samaritanos tentando divergir do programa.

    Todos os progenitores sabem jogar ao sorriso
    anódino que oculta a grande muralha da tensão
    psíquica, absolvem-se em cadeia e culpam o governo
    que coragem não tem para decapitar privilégios, é
    facílimo julgar e ir traíndo à gincana das ratoeiras
    adequadas nas reuniões de mães enfrascadas pelo
    ritalin das ideias inviáveis e ciúme incondicional.

    in QUIMICOTERAPIA 2004


    WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

     
  • At 16 junho, 2007 19:40, Blogger JMD said…

    "Rapinei" a informação sobre a bola trapeira... Fiz mal? espero que não. A bem do desporto!!

     
  • At 02 outubro, 2008 21:51, Anonymous Anónimo said…

    Oh que saudades da bola de trapos, da fisga, do pião, do jogo do garrafão...
    O entrar na sala de aula abraçado ao colega, após uma discussão no recreio.
    Tempos em que os sapatos ou mesmo os tamancos eram preteridos a favor do pé descalço para bem daqueles.
    Estaremos mesmo no princípio do fim?

     
  • At 02 outubro, 2008 21:56, Anonymous aidemim said…

    Meu amigo, saudades quem as não tem? Eu próprio serei do mesmo tempo já que fala das coisas como eram nos meus tempos de escola. O respeito que havia pelas professoras, nunca o medo.
    Vá aparecendo por aqui e fale da sua terra.
    Aidemim.

     

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